Existem três formas de trazer dados e pagamentos bancários para dentro de uma empresa no Brasil. Elas não são gerações sucessivas de uma mesma coisa — cada uma resolve um problema diferente, e escolher pela mais nova costuma ser tão caro quanto escolher pela mais antiga.
A resposta curta: VAN para volume e pagamentos em lote, API direta para relacionamento profundo com um ou dois bancos, Open Finance para cobertura ampla e consulta padronizada. Operações maduras quase sempre combinam pelo menos duas — e é justamente por isso que a Openi opera os três caminhos em uma camada só.
As três formas, em uma frase cada
VAN bancária. Uma rede privada que intermedeia a troca de arquivos entre a empresa e várias instituições, em layout padronizado — principalmente CNAB.
API direta do banco. Uma relação bilateral com uma instituição específica. Credencial, certificado, escopo e preço são definidos por aquele banco, sem padronização entre eles.
Open Finance. Uma interface padronizada e regulada pelo Banco Central, obrigatória para as instituições enquadradas, em que a base de acesso é o consentimento do cliente.
VAN: o padrão que ainda move o mercado corporativo
A VAN costuma ser tratada como legado, mas há uma razão técnica para ela continuar sendo a espinha dorsal das empresas de médio e grande porte. O layout CNAB 240, mantido pela FEBRABAN, cobre treze serviços distintos — incluindo débito automático, folha de pagamento, tributos, vendor, Compror e custódia de cheques.
Boa parte dessa lista não tem equivalente no Open Finance, cuja API de pagamentos é centrada em Pix. Quem migra tudo assumindo substituição direta descobre isso no meio do projeto.
A limitação real da VAN é outra, e está documentada pelos próprios bancos. Tomando o manual de cobrança da Caixa como referência:
Etapa | Prazo documentado |
|---|---|
Janela de envio de remessa | Das 7h30 às 17h59, de segunda a sexta |
Corte para processar no mesmo dia | Até as 18h |
Arquivo de pré-crítica | Entre 5 e 30 minutos após o envio |
Arquivo de retorno regular | Dia útil seguinte (D+1) |
Captura do retorno | 9 dias úteis, com redisponibilização por até 90 dias |
A VAN não é lenta. Ela é síncrona com o expediente bancário, não com a sua operação. Se o processo precisa do saldo às 15h para decidir um pagamento às 15h30, retorno em D+1 não resolve.
API direta: controle, ao preço da multiplicação
Conectar direto no banco dá o acesso mais profundo e o menor intermediário. O custo é que cada conexão é um projeto próprio. Dois exemplos, com base na documentação pública:
Exigência | Itaú | Bradesco |
|---|---|---|
Autenticação | OAuth 2.0 com mTLS. O sandbox não usa mTLS | mTLS |
Certificado | Dinâmico e próprio do banco, RSA 2048, validade de 365 dias | A1 ICP-Brasil em PFX, validade mínima de 4 meses |
Token de acesso | Válido por 5 minutos | — |
Pré-requisito | Contrato e produto contratados | Liberação pelo gerente de conta |
Homologação | Token temporário em até 1 dia útil | Produção cerca de 10 dias após a solicitação |
Dois detalhes que custam caro quando passam despercebidos: o sandbox do Itaú não usa mTLS, então o mecanismo real de autenticação só é exercitado em produção; e o Bradesco reprova certificado com menos de quatro meses de validade, o que derruba a homologação inteira. Multiplique por cinco bancos e você tem cinco processos, cinco certificados com vencimentos diferentes e cinco pontos de falha.
Open Finance: padronização, com limite de consulta
A padronização vem por regulação, não por contrato: mesma interface em todas as instituições enquadradas, certificação obrigatória e consentimento como base de acesso. O escopo inclui as transações dos últimos 12 meses, conforme o Art. 5º da Resolução Conjunta nº 1/2020.
O que mais surpreende quem vem de API direta são os limites operacionais. O Open Finance define mínimos mensais de chamadas por endpoint:
Classificação | Limite mínimo mensal | Equivale a |
|---|---|---|
Baixa | 8 chamadas | menos de 1 por semana |
Média | 30 chamadas | 1 por dia |
Alta | 240 chamadas | 8 por dia |
Especial — Saldos e Limites | 420 chamadas | cerca de 14 por dia |
Só respostas 2XX são contadas e o excedente recebe HTTP 423. Na prática: o teto garantido de consulta de saldo é de cerca de 14 leituras por dia. Muito melhor que D+1, mas não é streaming — e qualquer projeto que prometa "tempo real" sem qualificar isso vai bater nesse limite.
O consentimento mudou, e muita informação circulando está errada
O teto de doze meses do consentimento foi removido pela Resolução Conjunta nº 7, de outubro de 2023. A norma vigente pede apenas prazo compatível com a finalidade. Ainda há material público repetindo o limite antigo — inclusive páginas de perguntas frequentes do próprio ecossistema.
Continuam valendo: a renovação não é automática e depende de confirmação ativa; mudar finalidade, prazo ou escopo exige nova concordância; e a revogação é imediata, exceto em iniciação de pagamento, onde o prazo é de até um dia.
Tabela de decisão
Critério | VAN | API direta | Open Finance |
|---|---|---|---|
Cobertura de instituições | Ampla, com um contrato | Uma por projeto | Ampla, entre as enquadradas |
Atualização do dado | Lotes, retorno em D+1 | Definida pelo banco | ~14 consultas de saldo por dia |
Pagamentos em massa | Forte — é o caso original | Depende do banco | Limitado, centrado em Pix |
Débito automático, folha, tributos | Coberto pelo CNAB 240 | Depende do banco | Sem equivalente hoje |
Adicionar mais um banco | Habilitação junto à instituição | Projeto completo, do zero | Baixo — interface padronizada |
Padronização entre bancos | Padrão com variações | Nenhuma | Regulada e certificada |
A Openi conecta os três caminhos Open Finance, integrações diretas via API e VAN bancária em uma camada só — com os dados já normalizados e reconciliados contra o ERP e as notas fiscais. A escolha do canal deixa de ser decisão de arquitetura e vira configuração. |
O que quase ninguém discute: o dado envelhece
Há um problema de arquitetura que vale mais que qualquer tabela de funcionalidades. Quando o acesso é por consulta periódica, boa parte das chamadas traz informação que não mudou desde a anterior.
O estudo do Open Finance no Brasil publicado pela Zetta em setembro de 2026 mediu isso: 61,5% das chamadas retornam dados desatualizados. Em dados transacionais de cartão, apenas 22,66% do que é trazido é aproveitado. E o indicador mais duro: o percentil 95 da idade do saldo em consulta periódica fica em torno de 14 dias.
Trocando consulta periódica por mensageria, a proporção de chamadas com dado novo sobe de 38,5% para 93,4% e o percentil 95 cai de 14 dias para 15 minutos.
A pergunta que decide o projeto Não é "quantas chamadas eu posso fazer". É "quando eu vou saber que algo mudou". Um caminho com limite generoso de consulta e sem mecanismo de notificação entrega dado mais velho que um caminho com limite apertado e aviso de mudança. |
Três cenários
Se a sua operação é assim | O caminho certo |
|---|---|
Muitos pagamentos em lote — folha, fornecedores, tributos — em dois ou três bancos | VAN como base, Open Finance para leitura consolidada |
Dezenas de contas espalhadas, e o problema é não saber a posição de caixa | Open Finance — cobertura ampla com uma integração só |
Operação concentrada, com produtos específicos do banco principal | API direta no principal, Open Finance no restante |
Na prática, empresas com operação madura não escolhem uma. O custo dessa combinação não está nas conexões — está na orquestração. Três canais significam três formatos de dado, três regimes de atualização e três lugares onde a informação pode divergir. Sem uma camada que normalize isso, a empresa troca o problema de conectividade pelo de conciliação.
Perguntas frequentes
A VAN vai deixar de existir?
Não no horizonte visível. Enquanto débito automático, folha, tributos, vendor e Compror não tiverem equivalente padronizado no Open Finance, o CNAB continua sendo o único caminho para esses serviços.
Open Finance é mais barato que VAN?
Depende do uso. O custo por milhão de chamadas de API no Open Finance caiu da faixa de US$ 30 a 40 para US$ 1 a 10, segundo o Relatório Anual 2025 do Open Finance Brasil. Mas VAN e Open Finance cobram por coisas diferentes, e a comparação direta de mensalidade engana.
Dá para usar Open Finance sem ser instituição autorizada pelo Banco Central?
Participar como receptora exige autorização. Empresas não autorizadas acessam por meio de um provedor que já participa do ecossistema — que é o modelo mais comum e o que a Openi oferece.
Quantas vezes por dia dá para consultar o saldo?
O mínimo obrigatório para o endpoint de Saldos e Limites de Conta é de 420 chamadas por mês, cerca de 14 por dia. Instituições podem oferecer mais, mas esse é o piso garantido pela norma.
O consentimento ainda vale só 12 meses?
Não. O teto foi removido em outubro de 2023. Hoje a norma exige apenas prazo compatível com a finalidade declarada — mas a renovação continua dependendo de confirmação ativa do cliente.
Quer entender qual caminho faz sentido para a sua operação? A resposta depende de quantos bancos, qual volume e com que frequência o dado precisa estar atualizado. Em uma conversa de 30 minutos dá para mapear isso e dizer o que muda em cada cenário. |
