Grade com mais de cem pontos azuis representando pessoas físicas e apenas três pontos amarelos representando empresas, ilustrando o desequilíbrio de adoção no Open Finance brasileiro.

O Open Finance brasileiro é, em escala, um dos maiores do mundo. Mas quando se separa pessoa física de pessoa jurídica, aparece um desequilíbrio que raramente é discutido — e que diz muito sobre onde está a próxima fronteira desse mercado.

Primeiro, o tamanho do que foi construído:

Números do Relatório Anual 2025 do Open Finance Brasil, posição em dezembro de 2025:

Indicador

Posição em dez/2025

Variação

Consentimentos ativos

154 milhões

+148,8%

Consentimentos únicos (CPF e CNPJ)

100,2 milhões

+143,2%

Chamadas de API no ano

288,7 bilhões

~40 bilhões por mês

Instituições cadastradas

743

Custo por milhão de chamadas

US$ 1 a 10

era de US$ 30 a 40

Para comparação: o Reino Unido, referência histórica em Open Banking, reportou 15,16 milhões de usuários ativos e 2,04 bilhões de chamadas em julho de 2025. A diferença de escala é de ordens de grandeza.

Agora o outro lado: onde está a pessoa jurídica.

O dado oficial mais recente com quebra entre pessoa física e jurídica é do Relatório Anual de 2024:

Consentimentos únicos em dez/2024

Volume

Pessoa jurídica — como receptora

403,2 mil (+91,7% no ano)

Pessoa jurídica — como transmissora

406,7 mil (+83,6% no ano)

Total de consentimentos únicos

41,2 milhões

Participação de PJ no total

Cerca de 1%

Em um país com mais de 20 milhões de empresas ativas, isso significa que a esmagadora maioria dos negócios brasileiros nunca conectou uma conta ao Open Finance.

Uma observação sobre o próprio dado

O Relatório Anual 2025 não publica a quebra entre pessoa física e jurídica. O último recorte oficial disponível é de dezembro de 2024.

Leituras do painel público em agosto de 2026 apontam para a casa de 1,9 milhão de CNPJs como receptores — crescimento expressivo —, mas com recorte metodológico distinto, que não deve ser comparado diretamente com os 403 mil de 2024.

Que o indicador mais relevante da fronteira atual do Open Finance seja também o mais difícil de acompanhar já é, por si só, parte do diagnóstico.

As quatro travas:

A baixa adesão não se explica por desinteresse. Pesquisa da EY citada pela imprensa especializada aponta que 82% dos empreendedores de pequenas e médias empresas se dizem dispostos a compartilhar dados, e que 86% mantêm relacionamento com mais de uma instituição — 25% operam com seis a dez bancos. O problema não é vontade nem necessidade. É atrito.

1. A jornada de consentimento não foi desenhada para empresas:

O fluxo assume um titular que decide sozinho. Contas empresariais frequentemente exigem assinatura conjunta e respeitam alçadas definidas em contrato social. Não existe padronização para isso, e estruturas com múltiplos CNPJs e filiais acrescentam outra camada.

O efeito aparece no número mais duro: a taxa de conclusão das jornadas fica entre 50% e 60%, com algumas instituições abaixo de 40%. Quase metade de quem começa não termina.

2. O caso de uso não chega formulado ao decisor:

Para a pessoa física, a proposta é direta: melhores ofertas de crédito, visão agregada, portabilidade. Para um CFO, a pergunta é outra — o que muda na operação na segunda-feira de manhã? E a resposta costuma chegar em linguagem de infraestrutura, quando deveria chegar em linguagem de processo: fechamento mais rápido, conciliação sem planilha, posição de caixa sem entrar em seis portais.

3. Capacidade técnica interna:

Conectar-se exige autorização do Banco Central. Empresas que não são instituições financeiras acessam por meio de um provedor — caminho normal e correto, mas que adiciona uma decisão de fornecedor a um processo que o financeiro muitas vezes acredita ser só "ligar uma chave". Some ERPs com integração limitada e a ausência de um dono natural do projeto: não é bem do financeiro, não é bem da TI.

4. A percepção de risco está no lugar errado:

A comparação relevante não é "Open Finance versus não compartilhar". É "Open Finance versus como a empresa compartilha dados hoje" — que costuma ser por planilha exportada do internet banking, enviada por e-mail e guardada em pasta compartilhada. O caminho regulado, com certificação obrigatória e consentimento revogável, é mais seguro que o status quo, não menos.

O caminho de entrada não precisa passar pela TI

A Openi conecta bancos, ERPs e notas fiscais em uma camada de orquestração — por Open Finance, integração direta ou VAN. A empresa não precisa ser instituição autorizada nem montar estrutura própria para começar a usar.

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O que está mudando?

  • Agenda de engajamento de Pessoas Jurídicas. O Relatório Anual 2025 lista entre as prioridades de 2026 tornar a adesão das empresas mais simples, e há grupos de trabalho dedicados à jornada PJ.

  • Portabilidade de crédito via Open Finance. A Resolução Conjunta nº 15/2025 estabeleceu a portabilidade pelo canal, com prazo caindo de cinco para três dias úteis.

  • Iniciação de pagamentos em escala. R$ 15,3 bilhões movimentados e 64,5 milhões de transações em 2025, contra 7,4 milhões em 2024 — cerca de nove vezes mais em um ano.

O que a empresa ganha ao conectar?

Antes

Depois

Entrar em cada portal bancário para saber a posição de caixa

Posição consolidada em uma tela, atualizada ao longo do dia

Exportar extrato em PDF ou CSV e tratar na planilha

Dado estruturado na origem, sem arquivo

Conciliar contra o ERP manualmente, item por item

Correspondência automática, com exceções isoladas

Fechamento que depende do retorno bancário do dia seguinte

Visibilidade ao longo do próprio dia

Crédito avaliado por documento estático e balanço periódico

Comportamento financeiro real como insumo de análise

É esse último ponto que costuma ser subestimado. Quando o histórico financeiro passa a ser legível de forma estruturada e com consentimento, a conversa de crédito muda de natureza: sai da demonstração contábil de seis meses atrás e vai para fluxo de caixa, sazonalidade, concentração de receita e recorrência de entradas. É exatamente isso que a Openi faz com os dados de Open Finance, combinando-os com contexto de ERP e fiscal.

Onde isso vai dar?

A infraestrutura já está pronta. Foram 288,7 bilhões de chamadas em 2025, e o custo por milhão delas caiu de US$ 30 a 40 para US$ 1 a 10. O gargalo não é mais técnico nem econômico.

O gargalo é de jornada e de tradução. Enquanto o consentimento empresarial não tiver caminho padronizado para contas com múltiplos sócios, e enquanto o benefício continuar sendo apresentado em linguagem de API em vez de linguagem de fechamento contábil, o 1% vai subir devagar.

A pergunta que define os próximos dois anos não é se as empresas vão para o Open Finance. É quem vai tornar essa entrada simples o suficiente para que a decisão pare de passar pela TI.

Perguntas frequentes:

Quantas empresas estão conectadas ao Open Finance hoje?

O último dado oficial com quebra entre pessoa física e jurídica é de dezembro de 2024: 403,2 mil consentimentos únicos de PJ como receptora, cerca de 1% do total. O Relatório Anual 2025 não publica esse recorte.

Uma empresa precisa de autorização do Banco Central?

Para participar como instituição receptora, sim. Empresas que não são instituições financeiras acessam por meio de um provedor já participante — modelo mais comum e o que a Openi oferece.

O consentimento empresarial vale por quanto tempo?

O teto de doze meses foi removido pela Resolução Conjunta nº 7, de outubro de 2023. Hoje a norma exige prazo compatível com a finalidade declarada, e a renovação depende de confirmação ativa do cliente.

É seguro compartilhar dados bancários da empresa?

O Open Finance opera sob regulação do Banco Central, com certificação de conformidade obrigatória e revogação do consentimento a qualquer momento — imediata na maior parte dos casos. É um ambiente mais controlado que a prática de exportar extratos e trafegá-los por e-mail.

Qual o maior obstáculo hoje?

A jornada de consentimento em contas com múltiplos sócios e alçadas. Não há padronização, e a taxa de conclusão das jornadas fica entre 50% e 60%.

Sua empresa está entre os 99% que ainda não conectaram?

Em uma conversa dá para entender o que o Open Finance muda especificamente na sua operação — conciliação, posição de caixa, fechamento — e o que é preciso para começar.

Falar com a Openi →


Fontes

  • Open Finance Brasil — Relatório Anual 2025 (posição dez/2025)

  • Open Finance Brasil — Relatório Anual 2024 (quebra PF/PJ, posição dez/2024)

  • Banco Central — Resoluções Conjuntas nº 1/2020, nº 7/2023 e nº 15/2025

  • Zetta — Open Finance no Brasil, setembro de 2026

  • Open Banking Limited (Reino Unido) — usuários ativos e chamadas de API, julho de 2025

  • EY — levantamento sobre disposição de PMEs, citado pela imprensa especializada

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Beatriz Galvão | CEO da Openi

Sobre o Autor

Beatriz Galvão | CEO da Openi

Beatriz Galvão é CEO da Openi, ecossistema de automação financeira, contábil e fiscal que conecta bancos, ERPs, notas fiscais e motores de inteligência em um fluxo único. À frente da visão, do crescimento e da governança da empresa, acompanha de perto a transformação da infraestrutura financeira brasileira — do avanço do Open Finance à chegada da reforma tributária. No blog da Openi, escreve sobre o que essas mudanças significam na prática para quem toca a operação: o que muda no fechamento, na conciliação e na relação das empresas com seus bancos.

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